sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Principais Causas de Lesão Medular Traumática:

Principais Causas de Lesão Medular Traumática:

Estudos estatísticos americanos apontam 10.000 casos anuais de traumatismos raquimedulares, sendo os acidentes automobilísticos a principal causa de lesão medular traumática responsáveis por cerca de 44% dos casos, seguido por agressão por arma de fogo 24%, por quedas e lesões associadas a atividades esportivas 22% e 8% por mergulho em águas rasas e outras causas. Em nosso país não há dados estatísticos a respeito, contudo estima-se que os números sejam percentualmente superiores devido a fatores regionais, tais como menor segurança dos veículos, menor impunidade diante da infração às leis de trânsito e a grande violência nos grandes centros urbanos. 

Observem que o mergulho em águas rasas (piscinas, lagos, açudes, rios) é uma das causas importante de Lesão Medular Traumática em todo o mundo. Para reduzir esse risco é importante alertar aos jovens e às crianças quanto ao perigo de mergulharem de cabeça em locais que desconhecem a profundidade ou a presença de obstáculos como grandes pedras submersas. Por garantia o primeiro mergulho sempre deve ser em pé. 

Atendimento aos pacientes com Lesão Medular Traumática: 

· Evitar seu agravamento com adoção de cuidados adequados de imobilização na remoção e transporte do paciente acidentado para o hospital;
· Identificar e corrigir possíveis compressões medulares mediante tratamento cirúrgico para correção de hérnias discais e estabilização da coluna.

Problemas Associados a Lesão Medular:

· Úlceras por Pressão
· Disfunção Urinária
· Disfunção Intestinal
· Disreflexia Autonômica
· Trombose
· Embolia Pulmonar
· Siringomielia
· Distúrbios do Humor

Úlceras por Pressão:

Úlceras por Pressão ou Escaras de Decúbito são áreas de necrose localizadas na pele e tecidos subcutâneos decorrentes da falta de oxigenação e nutrição desses tecidos provocada pela compressão ao nível das proeminências ósseas do corpo em pacientes que permanecem acamados e imóveis numa mesma posição por longos períodos. 

Quando uma pessoa saudável dorme inconscientemente ela se movimenta espontaneamente de um lado para outro sempre que uma determinada posição se torna incômoda. Isso ocorre por um mecanismo fisiológico natural. Já em pacientes acometidos por problemas diversos (lesão medular, debilitados, comatosos...) que permanecem deitados por longos períodos sem poderem se movimentar espontaneamente, o peso do corpo exerce pressão sobre as proeminências ósseas e, conseqüentemente, a pele adquire coloração esbranquiçada decorrente da isquemia (falta de irrigação sangüínea) na área da compressão. Se essa compressão for eliminada pela mudança de decúbito do paciente, essa área de coloração esbranquiçada dará lugar a uma área de coloração avermelhada devido a hiperemia reativa que ocorre como resposta ao súbito aumento do fluxo de sangue na região antes comprimida. 

Caso essa pressão não seja periodicamente aliviada, através da mudanças de decúbitos desses pacientes, a área de coloração esbranquiçada evolui para um estágio de sofrimento tecidual adquirindo o aspecto cianosado (coloração roxa) seguido de formação de bolhas que se rompem facilmente e necrosam (morte dos tecidos por falta de oxigênio e nutrientes), produzindo escaras ou úlceras por pressão.

Tais úlceras tendem a aumentar de tamanho se a região não for protegida adequadamente, sobretudo se não for eliminada a pressão sobre a área por meio da mudança de posição do paciente.

Os primeiros sinais aparecem nas áreas ao nível de proeminências ósseas, tais como: região sacra (final da coluna), nádegas (ísquios), calcâneos, cotovelos, joelhos, escápulas, occipital, entre outras.
Por esse motivo, nas mudanças de decúbitos deve-se observar o aspecto e a integridade da pele ao nível dessas áreas de proeminências ósseas:




São quatro as opções mais comuns para as mudanças de decúbitos, a saber: ventral (barriga para baixo); dorsal (barriga para cima); lateral direito e lateral esquerdo:



As figuras abaixo mostram as regiões do corpo onde estas escaras de decúbito se localizam com maior freqüência:
Quando uma pessoa em estado de coma ou tetraplégica fica deitada por muito tempo de "barriga para cima" apresenta grandes chances de ter úlceras por pressão ou escaras nas seguintes regiões: calcâneos, sacro, cotovelo, escápula e cabeça.
Pelo mesmo problema quando um paciente permanece deitado e imóvel por muitas horas de "barriga para baixo" apresenta também grandes possibilidades de vir a ter úlceras por pressão ou escaras nas regiões a seguir: dedos, joelhos, genitais, espinha ilíaca, ombro e face.
Também, pelo mesmo motivo, quando um paciente fica "deitado de lado" e imóvel por muito tempo, terá grandes possibilidades de apresentar escaras nas seguintes regiões: tornozelo, joelhos, trocanter do fêmur, costelas, ombros e orelhas.
É importante ter em mente que as escaras podem desenvolver-se em poucos dias e progredir rapidamente se não forem tratadas adequadamente. Quando o tratamento não é adequado freqüentemente as escaras infeccionam, crescem em extensão e profundidade podendo o processo infeccioso estender-se até ao plano ósseo tornando a cura muito demorada e extremamente difícil. 

Os sintomas ou sinais de alerta que antecedem a formação da escara são: área cutânea de coloração pálida ou avermelhada, manchas escuras de cor roxa e bolhas. 

Vale salientar que nas pessoas de pele negra as manchas que antecedem a formação das escaras apresentam uma tonalidade roxo/azulado, mais escuras do que a pele ao redor. Quando apalpadas pela primeira vez, essas manchas se apresentam morna se comparadas com a pele ao redor, sendo que mais tarde elas tendem a tornar-se frias caracterizando sinal de desvitalização dos tecidos.

Para impedir que ocorram esses sinais de alerta que antecedem a formação de escara são necessárias as seguintes

Medidas de Prevenção:
  •  Observar diariamente a pele do paciente para detectar possíveis áreas comprometidas (áreas de coloração esbranquiçada, manchas roxas ou bolhas). Se identificadas logo no início, é importante resolver o problema eliminando a pressão exercida na pele provocada pelo peso do corpo ao nível da saliência óssea; 
  •  Fazer massagem com creme hidratante: região glútea, face posterior das coxas, pés e artelhos. Evitar massagens nas áreas com manchas roxas ou bolhas, pois isto indica o início da escara e a massagem nestas circunstâncias vai causar mais danos que benefícios;
  •  Usar protetores de espuma (almofada "caixa de ovo inflável" ou almofada de gel ou d'água) nas áreas de maior risco (proeminências ósseas). Os joelhos devem ser mantidos afastados de contato direto um com o outro. Os calcanhares também devem ser protegidos com almofadas. Essas almofadas são necessárias não somente na fase preventiva como também no tratamento das escaras já existentes; 
  •  Utilizar sempre o colchão de ar do tipo "caixa de ovo inflável" ou o colchão d'água que apóiam o corpo de forma suave e uniforme, ajustando-o com perfeição em toda a sua extensão, sem causar pressão excessiva nas áreas mais vulneráveis; 
  •  Quando deitado o paciente deve mudar de posição ou decúbito a, pelo menos, cada 2 horas, sendo conveniente um horário por escrito para se evitar esquecimentos. Observação: Há autores que preconizam o esquema de mudanças de decúbitos de 4 em 4 horas desde que o paciente seja mantido em colchão adequado (acima mencionado) e haja uma vigilância periódica da superfície corporal para identificar possíveis manchas e procurando adequá-lo a suas singularidades. Ademais, recomenda-se evitar o lado que esteja com áreas comprometidas, por exemplo, se o paciente tiver uma mancha roxa na região coxofemoral direita, não será indicado permanecer em decúbito lateral direito; 
  •  Quando sentado em cadeira de rodas ou poltrona o paciente deve usar almofada de gel, ar ou água. As almofadas de ar e/ou água, mesmo sendo alternativas para uso de curto prazo na prevenção de escaras, tendem a comprometer o equilíbrio do tronco e a estabilidade postural do paciente.
    É contra indicado o uso de almofadas que têm um orifício central (roda d´água) pois elas favorecem o aumento da pressão ao nível das nádegas o que facilita a formação de escara nessa região. O paciente sentado deve levantar o seu peso a cada 15 minutos. Aqueles que não conseguem levantar o seu peso devem ser levantados por outra pessoa ou levados de volta para a cama: 



  •  Manter o paciente fora do leito sempre que possível;
  •  Usar técnicas adequadas para transferência do paciente da cama para cadeira e vice-versa. O paciente precisa ser erguido ao ser movimentado e nunca arrastado contra o colchão pois a fricção pode ser um fator que contribua para a formação de escaras; 
  •  Usar aparelhos como o trapézio ou o lençol do forro da cama para movimentar (ao invés de puxar ou arrastar) o paciente impossibilitado de colaborar durante a transferência ou nas mudanças de decúbitos; 
  •  A cabeceira da cama não deve ficar muito tempo na posição excessivamente elevada para não aumentar a pressão nas nádegas, o que leva ao desenvolvimento da úlcera por pressão nessa região; 
  •  Evitar cruzar os membros do paciente para não obstruir o fluxo sanguíneo desses segmentos corporal;
  •  Exercitar o paciente fazendo movimentos passivos nas articulações das mãos, braços, pés e pernas. Solicitar orientação e acompanhamento de fisioterapeuta especializado em lesão medular, pois a fisioterapia desempenha um papel importante não somente na recuperação das funções como também ensinar ao paciente e seus familiares a cuidar da "manutenção" por meio de exercícios de fortalecimento, alongamentos, ortostatismo (trabalho gradativo de levar o paciente a ficar na posição vertical), treinamento de marcha e outros. Seus benefícios envolvem tanto a parte física quanto a psicológica; 
  •  Considerando que a pessoa bem nutrida tem menor possibilidade de desenvolver escaras, é importante oferecer alimentos apetitosos e ricos em proteínas: carnes, frangos, peixes, leite e seus derivados, vitaminas e sais minerais. Os cardápios devem alternar carnes vermelhas, frangos e peixes durante a semana. Solicitar orientação dietética de nutricionista;
  •  O paciente deve ingerir aproximadamente 2 litros de líquidos por dia, pois uma adequada hidratação auxilia na prevenção das úlceras por pressão, impede a formação de cálculos renais e facilita o processo de reeducação intestinal combatendo a constipação. O uso diário de suco de limão em forma de refresco ou na salada é um fator inibidor da formação de cálculos no sistema urinário;
  •  Manter sempre uma higiene adequada do paciente, a pele deverá ser limpa no momento que sujar. Evitar água quente e usar um sabonete suave hidratante para não causar irritação ou ressecamento da pele. Aqueles que apresentam incontinência urinária e fecal ficam mais expostos ao risco de desenvolver escaras, face ao teor ácido e corrosivo das fezes acumuladas por horas em contato com a pele íntegra. Por esse motivo, se o paciente não tiver controle da urina, usar fraldas descartáveis ou absorventes e trocar a roupa assim que possível. O uso de lenços umedecidos do tipo "baby Wipes" pode ser útil nos procedimentos de limpeza e o uso de pomadas como Hipoglós ajuda a formar uma barreira contra a umidade; 
  •  Manter também a cama sempre limpa, seca e os lençóis bem esticados e livres de resíduos de alimentos;
  •  O paciente deve tomar sol por curtos períodos (30 a 40 min) preferencialmente no período das 7 às 10 horas da manhã, nunca em horas de maior intensidade;
  •  Para tratamento de escara de decúbito é importante um acompanhamento médico com solicitação de exames complementares para avaliar o estado de nutrição do paciente, diagnosticar doenças concomitantes como Diabetes e Anemias, dentre outras, que retardam ou impedem a cura do processo; 
  •  Fornecer muito carinho e amor ao paciente. Não deixá-lo deitado ou sentado sobre a ferida e observar se as medidas de prevenção mencionadas estão sendo efetivamente colocadas em prática.
É importante enfatizar que as escaras são bem mais fáceis de serem prevenidas do que tratadas, por isso é fundamental prevenir o surgimento de úlceras de pressão desde o momento inicial do atendimento médico. É necessário, portanto, que os familiares e acompanhantes dos recém-lesionados medulares diligenciem desde os primeiros momentos de internação uma atenção especial da equipe médica e de enfermagem para prevenir esse grave problema. 

Atualmente existe em casas especializadas em artigos ortopédico-hospitalares uma quantidade cada vez maior de produtos que têm como objetivo prevenir o aparecimento de escaras em pacientes acamados e auxiliar no tratamento das escaras já existentes. Esses produtos devem ser indicados pelo médico de acordo com o que é mais adequado às necessidades do paciente. 

Para que sejam tomadas medidas eficazes de prevenção, é necessário que os familiares e prestadores de cuidados compreendam perfeitamente e estejam atentos aos fatores de riscos que influenciam na instalação e desenvolvimento dessas escaras. 

Principais fatores de risco para o desenvolvimento de escaras:
  •  Limitação dos movimentos: A imobilidade do paciente com paralisias aumenta os riscos de se desenvolver o processo que resulta na formação de escaras; 
  •  Estado de desnutrição: portadores de doenças crônicas e debilitantes tais como câncer, diabetes, anemias, vítimas de traumatismos, etc., apresentam maior risco de desenvolver complicações;
  • Nível de consciência comprometido: os pacientes inconscientes ou em estado de coma que perderam os reflexos de mudança espontânea de decúbitos ficam vulneráveis à formação de úlceras por pressão; 
  •  Perda da sensibilidade tátil e/ou térmica: portadores de lesão de nervos sensitivos;
  •  Umidade cutânea: pacientes que permanecem muito tempo molhados por suor, urina e fezes;
  •  Falta de atenção adequada dos prestadores de cuidados ou encarregados pelo mudança de decúbitos e asseio dos pacientes. Caso o paciente esteja sendo acompanhado em domicílio, os familiares devem obedecer rigorosamente as recomendações médicas e o horário estabelecido para a mudança de decúbitos.

    O curativo deve cumprir os seguintes requisitos:
  •  Oferecer proteção mecânica: a oclusão da ferida com gaze acolchoada atua como barreira frente aos micro-organismos (fixar o curativo com fita adesiva Micropore ou enfaixamento com atadura de crepe);
  •  Facilitar a eliminação de exsudados e fluidos necrosados: manter ambiente úmido (curativos úmidos); 
  •  Favorecer a cicatrização;
  •  Não ser tóxico, alérgico ou sensibilizante;
  •  Não deixar partículas estranhas na ferida;
  •  Desbridamento: a existência tecido necrosado ou desvitalizado na escara favorece o crescimento de germes patogênicos e retarda o processo de cicatrização, sendo por isso importante a retirada deste tecido por método enzimático (ou cirúrgico) seguido de lavagem com soro fisiológico.

    Como fazer o curativo: 
Tendo em vista um número considerável de pacientes portadores de úlcera por pressão tratados e acompanhados em regime domiciliar, torna-se necessário uma orientação aos familiares e prestadores de cuidados quanto aos procedimentos adequados durante os curativos:
  •  Lavar muito bem as mãos em água corrente usando sabonete ou detergente anti-séptico com escovação das mãos principalmente dedos e unhas;
  •  Remover o adesivo do curativo anterior com creme hidratante tomando cuidado para soltar os pêlos aderidos e observar possíveis reações alérgicas na pele, aspecto da superfície da lesão, presença de tecido necrosado e aparência da secreção;
  •  Observar o aspecto da ferida, em especial o surgimento de uma camada de tecido esponjoso de granulação de cor vermelho vivo, típico do processo normal de cicatrização da lesão. Evitar removê-lo nos procedimentos de limpeza da área;
  •  Limpeza da úlcera: limpar a ferida com gaze embebida em soro fisiológico fazendo movimentos de dentro para fora (nunca fazer movimento de fora para dentro da ferida para não contaminá-la ainda mais e comprometer o processo de cicatrização). A limpeza da úlcera deve ser feita com gaze ou pequeno chumaço de algodão hidrófilo umedecido abundantemente em soro fisiológico. Nesta limpeza usar pinça estéril (para fixar as compressas de gaze) e fazer uma pressão suave e suficiente para arrastar os detritos e secreções da ferida sem produzir trauma (sangramento) no tecido esponjoso de granulação que está em formação. Evitar o uso de agentes como: álcool, iodo, mertiolato, mercurocromo, água oxigenada, sabão ou soluções detergentes tipo hipoclorito de sódio que promovem desidratação e lesão dos tecidos com formação de crosta que retarda o processo de cicatrização. Também não é necessário limpar a ferida com anti-sépticos locais, já que podem ser tóxicos para as células do tecido que está em formação. (Obs: todo líquido que não pode ser pingado no olho por ser cáustico não deve ser colocado numa ferida);
  •  Limpar a área ao redor da ferida: usar gaze embebida em soro fisiológico com atenção para não fazer movimento no sentido de fora para dentro da ferida para não contaminá-la (descartar gaze após uso). A pele ao redor da lesão deve ser mantida seca, podendo ser aplicado nessa área soluções anti-sépticas do tipo Povidine tópico; 
  •   Após o curativo lavar bem as mãos em água corrente com sabonete e escova;
  •  Debridamento enzimático: a existência de crosta na ferida indica a presença de tecido desvitalizado (morto) favorecendo a proliferação de bactérias que impedem ou retardam o processo de cicatrização. Por isso é importante a retirada desse tecido desvitalizado ou necrosado através do desbridamento enzimático feito por cremes ou pomadas a base de enzimas proteolíticas e fibrinolíticas (Fibrase, Iruxol...), atuando como agentes que descolam e facilitam a remoção dos tecidos necrosados e por esse mecanismo favorecem a limpeza da lesão e contribuem para o processo de cicatrização. Para potencializar a ação dessas pomadas, é necessário aplicá-las em forma de curativos úmidos (gazes umedecidas em soro fisiológico). . Note bem que o uso dessas pomadas está indicado nos casos em que há presença de tecido desvitalizado (necrosado) na superfície da ulceração. Nos demais casos, não havendo orientação médica em contrário, a limpeza da lesão pode ser feita somente com soro fisiológico e repetida por 2 ou até 3 vezes ao dia;
  • Infecção: Nos casos em que há fatores predisponentes associados (Diabetes, incontinência, pacientes desnutridos, uso de medicamentos imunossupressores, etc.), há maior incidência de infecção da úlcera por pressão, sendo essa infecção manifestada pelo aumento de exsudato (serosidade purulenta), odor fétido e dor ao nível da lesão. Na presença de tais manifestações está indicado a coleta da secreção para cultura e antibiograma para identificação do germe causador da infecção o que possibilitará o tratamento com antibiótico específico. Em caso de infecção é necessário que a limpeza da ferida com soro fisiológico seja feita com maior freqüência e por isso o curativo oclusivo e úmido deve ser repetido de 4/4 horas durante o dia. Após a coleta de material e enquanto se aguarda o resultado da cultura pode ser usado antibiótico local (por exemplo Garamicina creme) em curativos úmidos, ou seja, após a limpeza da lesão com soro fisiológico coloca-se o mencionado creme na úlcera e em seguida cobre-se com gaze umedecida em soro fisiológico; 
  • Finalmente, oclusão da ferida com gaze seca acolchoada (compressa de gaze do tipo coxim) e sua fixação com fita adesiva antialérgica Micropore pegando bem na borda da gaze, a fim de deixar o ferimento o mais arejado possível.
    Dependendo do local da úlcera, essa fixação do curativo também pode ser feita mediante enfaixamento com atadura de crepe;
    · Deixar o paciente bem acomodado e confortável, evitando posição que comprima a área da lesão e observar sistematicamente o aspecto externo do curativo quando das mudanças de decúbitos;
  • Trocar o curativo sempre que necessário na dependência da drenagem de secreção excessiva (curativo sujo pela secreção), após banho, incontinência, etc., e procurar observar em cada caso suas características particulares. Reações desagradáveis do tipo prurido, vermelhidão, inchaço e/ou irritação no local da aplicação de medicamentos tópicos podem ser indicativas de manifestação alérgica, devendo os mesmos serem suspensos.

    Disfunção Urinária:
O cérebro e os nervos provenientes da medula espinhal são responsáveis pelo mecanismo coordenado entre a bexiga e o esfíncter uretral o que possibilita um controle eficaz da urina através do sistema urinário. Um traumatismo de coluna com lesão medular pode comprometer essa comunicação entre o cérebro e o sistema urinário e a eliminação da urina armazenada na bexiga deixará de ser automática. Por esse motivo, a maioria dos pacientes com lesão medular não possui controle urinário normal. 

O sistema urinário formado pelos rins, ureteres, bexiga e uretra, é o responsável pela produção, armazenamento e eliminação da urina. A urina é produzida pelos rins, sendo conduzida pelos ureteres e armazenada na bexiga que é uma bolsa muscular coletora. Quando essa bolsa muscular coletora fica repleta de urina, esse músculo (da bexiga), por um mecanismo reflexo, se contrai e a urina é eliminada através da uretra (micção). No momento em que o músculo da bexiga se contrai, o esfíncter da uretra se relaxa para permitir a saída da urina. Este é um processo fisiológico normal controlado pelo sistema nervoso autônomo que coordena o funcionamento sinérgico entre a bexiga e a uretra, ou seja, durante o enchimento da bexiga a sua musculatura permanece relaxada para receber e armazenar a urina proveniente dos rins, enquanto o músculo do esfíncter da uretra permanece contraído para evitar a saída da urina coletada na bexiga. Por outro lado, quando o músculo da bexiga se contrai para eliminar o seu conteúdo, o esfíncter da uretra se relaxa para permitir a eliminação da urina. Para que esse mecanismo automático aconteça normalmente é preciso haver coordenação nervosa entre o músculo da bexiga e do esfíncter da uretra. Quando este mecanismo não ocorre de maneira integrada, acontece o que se chama dissinergismo vésico-esfincteriano. 

Se os músculos (da bexiga e o do esfíncter da uretra) se contraírem ao mesmo tempo, haverá um esforço maior da musculatura da bexiga para tentar vencer a resistência do esfíncter da uretra. Este esforço leva, com o tempo, a um enfraquecimento da parede da bexiga, bem como a formação de divertículos (pequenas sacos) nesta parede da bexiga e, o que é pior, haverá um refluxo de urina da bexiga para os rins colocando em risco a função renal que é uma grave complicação.

Além do mais a urina residual acumulada na bexiga propicia condições para a instalação de infecção urinária e a formação de cálculos. 

Como vimos, o cérebro e os nervos provenientes da medula espinhal são responsáveis pelo mecanismo coordenado entre a bexiga e o esfíncter uretral, o que possibilita um controle eficaz da urina através do sistema urinário. Um traumatismo de coluna com lesão medular pode comprometer essa comunicação entre o cérebro e o sistema urinário e a eliminação da urina armazenada na bexiga deixará de ser automática, o que representa um sério problema para o paciente.

Se a lesão for incompleta, é possível com o passar do tempo haver recuperação parcial ou até total desse mecanismo. Contudo para que esta recuperação aconteça pode ser necessária a utilização de alguns procedimentos urológicos para esvaziar a bexiga. 

Os portadores de lesão medular devem marcar consultas periódicas na urologia para acompanhamento médico e a realização de exames de urina dentre outros. Há autores que recomendam além dos tratamentos alopáticos da medicina convencional, associar o tratamento homeopático, visando uma melhor qualidade de vida desses pacientes.

Dependendo do nível da lesão medular, a bexiga pode passar a apresentar dois tipos de problemas:

1) Passa a acumular uma quantidade menor de urina do que antes da lesão medular e o músculo da bexiga passa a ter contrações involuntárias com perdas freqüentes de urina. É a chamada bexiga espástica comum nas lesões medulares acima do nível sacral (acima de T12); 

2) Passa a acumular uma quantidade maior de urina do que antes da lesão medular porque o músculo da bexiga não se contrai mais e isto faz com que grande quantidade de urina fique retida (muito acima da capacidade normal). É a chamada bexiga flácida comum nas lesões medulares ao nível sacral (abaixo de T12).

O diagnóstico do tipo de bexiga é importante para a definição do tipo de tratamento a ser instituído por urologista em regime de internação hospitalar. 

Disfunção Intestinal:

A lesão medular determina também alterações no controle intestinal. Na lesão medular de nível mais alto o distúrbio está principalmente relacionado com tendência a constipação intestinal crônica (prisão de ventre) e na lesão medular mais baixa o distúrbio está relacionado com tendência à incontinência fecal (eliminação acidental de fezes). Embora na maioria das lesões medulares não seja possível a recuperação do controle intestinal, um programa de reeducação pode fazer com que o intestino funcione sempre em um mesmo horário, tornando mais fáceis as atividades fora de casa.

Prisão de ventre: (constipação intestinal) em pessoas normais geralmente está associada a uma dieta diária pobre em resíduos, podendo também estar associada ao hábito do indivíduo recusar ou bloquear repetidas vezes a sensação da vontade para evacuar para não ter que interromper as suas atividades sociais, profissionais ou de lazer. 

No tratamento dessas pessoas com prisão de ventre toda ênfase deve ser dada a reeducação alimentar, bem como devem ser orientadas para estabelecer em sua programação diária, obedecendo a um horário determinado para ir ao banheiro, o que auxiliará a reeducação do seu reflexo gastrocólico (o intestino é estimulado mediante reflexo induzido pelo estômago cheio). A escolha do horário pelo paciente deverá permitir o seu cumprimento todos os dias para que se obtenha, em tempo relativamente curto, o desencadeamento do reflexo da evacuação e a sensação da vontade de evacuar aproximadamente no mesmo horário, diariamente. Cria-se assim o hábito mais regularizado do esvaziamento intestinal condicionado pelo horário do aparecimento do reflexo gastrocólico, seguido pelo desencadeamento das etapas seguintes (voluntárias) da evacuação. 

Dieta: dentre as medidas básicas para a reeducação intestinal dos pacientes com lesão medular também está indicada a dieta rica em fibras, tais como: frutas (sobretudo mamão, suco de ameixas, figos, uvas, laranjas...), legumes (cenoura, beterraba, chuchu, abobrinha...) e verduras: alface, rúcula, couve, agrião... servidas em forma de saladas com azeite de oliva e limão, pois aceita-se que o limão inibe a formação de cálculos renais. A alimentação não deve conter excesso de alimentos com pouca fibra (constipantes) tais como as massas, farinhas, arroz, doces, gelatinas, goiabas, maçãs... Não é que eles não possam fazer parte da alimentação, contudo o que se recomenda é que o seu consumo diário seja feito de maneira balanceada com os demais alimentos. 

Está comprovado que refeições em horários regulares estimulam o funcionamento intestinal. Preconiza-se que a primeira refeição do dia seja reforçada, não esquecendo de incluir frutas e alimentos ricos em fibras. No café da manhã e no jantar além das frutas, o pão francês pode ser trocado por mingau de aveia ou cereais à base flocos de milho e aveia. A banana d'água cozida, além de favorecer o trânsito intestinal, ajuda a variar o cardápio. O deficiente deve manter-se atento ao funcionamento do próprio organismo e observar a sua reação aos diversos alimentos ingeridos.

É importante reservar um horário regular para ir ao banheiro logo após uma refeição, mesmo que não sinta vontade de evacuar. Fora do horário previsto quando sentir vontade de evacuar, sempre que possível, deve ser respeitada sem demora. 

Também é importante a ingestão abundante de líquidos (em geral 2 litros por dia), realizar exercícios diários, fazer massagem abdominal no sentido horário no momento do esvaziamento e, quando necessário, usar laxante o mais natural possível (Loraga, Metamucil...). Se as orientações apresentadas não forem efetivas a utilização de outros recursos tais como uso de supositórios de glicerina e enemas podem ser necessários, sempre sob a orientação médica.
O deficiente, principalmente o cadeirante, não deve passar mais de 3 dias sem evacuar.

Disreflexia Autonômica:

Disreflexia autonômica é uma complicação freqüente nas lesões cervicais e pode ocorrer também nas lesões medulares acima da vértebra torácica T6. 

O estímulo que normalmente provocaria dor e desconforto no indivíduo normal tais como bexiga ou intestino cheios e distendidos pode desencadear uma crise de disreflexia no paciente portador de uma lesão medular que não sente essa dor porque é portador de uma lesão medular. 

Os sintomas mais freqüentes de disreflexia autonômica são: cefaléia, pontos brilhantes visuais, visão borrada, obstrução nasal, freqüência cardíaca baixa e as seguintes manifestações acima do nível da lesão: arrepios, sudorese e manchas vermelhas na pele. A pressão arterial elevada e descontrolada é o sinal clínico de maior perigo. 
A disreflexia á considerada uma emergência e como tal requer um pronto atendimento médico.

Trombose:

Por trombose entende-se a obstrução arterial conseqüente à coagulação intravascular com formação do chamado trombo, sendo os pacientes acamados e impossibilitados de se movimentar os mais vulneráveis a essa grave complicação. A principal sede de formação de trombos é o coração (aurícula esquerda), contudo freqüentemente a formação do trombo ocorre a nível de vasos da perna (panturrilha), manifestando-se clinicamente por edema e calor local. A perna afetada pela trombose fica inchada e mais quente do que a outra. O trombo formado na perna pode se desprender e ser arrastado pela corrente circulatória, indo obstruir outras artérias do corpo, sendo as artérias do pulmão as mais afetadas, daí o nome de embolia pulmonar.
 Diante dessa grave complicação, impõe-se um diagnóstico e tratamento precoces, além de uma vigilância cuidadosa e contínua do paciente ainda na fase de trombose, a fim de ser instituída a terapêutica mais adequada para salvar o paciente.

Embolia Pulmonar:
Os principais sintomas de embolia pulmonar são: diminuição repentina da respiração, taquicardia, dor no peito ou nas costas e tosse de aparecimento súbito. Havendo suspeita de embolia pulmonar deve-se procurar imediato socorro médico-hospitalar.

Siringomielia:
Alguns pacientes com lesão medular podem vir a apresentar meses ou vários anos após a lesão um quadro clínico denominado siringomielia pós-traumática caracterizado por dor, ascensão do nível sensitivo ou motor (por exemplo paraplégico que passa a apresentar dormência, atrofia e fraqueza em uma das mãos), aumento do tônus muscular (acentuação da espasticidade), mudança do padrão urinário (de urgência passa a apresentar retenção de urina), alteração da sudorese ou até mesmo queixas digestivas como dificuldade de deglutição dos alimentos. Em muitos desses pacientes os exames de imagem mostram a formação de cavidades intramedulares que se estendem por vários níveis acima e abaixo da lesão traumática. Considerada rara no passado a partir da implantação dos exames de Ressonância Magnética a incidência de siringomielia em pacientes com lesão medular tem sido estimada em torno de 8%. 

A conduta médica pode implicar em procedimento cirúrgico.

Distúrbios do Humor: 

Distúrbios do humor, particularmente a ansiedade e a depressão, são freqüentes em pacientes com lesão medular. A integração precoce em programas de reabilitação e socialização, incluindo atividades esportivas diminui, consideravelmente a incidência desses problemas.

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